Goose oferece IA de código grátis contra custo de até R$ 1.000

O boom da inteligência artificial no desenvolvimento de software trouxe uma promessa tentadora: ferramentas capazes de escrever, depurar e até implantar códigos automaticamente. No entanto, esse avanço tem um preço elevado. O Claude Code, da Anthropic, tem se destacado como uma das principais soluções do tipo, mas seu modelo de cobrança — que pode chegar a R$ 1.000 por mês — tem gerado revolta entre os próprios programadores que deveriam ser seus principais usuários. Agora, surge uma alternativa gratuita que promete mudar o jogo: o Goose, um agente de IA de código aberto desenvolvido pela Block (a antiga Square), oferece funcionalidades quase idênticas ao Claude Code, mas funciona inteiramente no computador do usuário, sem assinaturas, dependência de nuvem ou limites de uso que se renovam a cada cinco horas.

“Seus dados ficam com você, ponto final”, declarou Parth Sareen, engenheiro de software que demonstrou a ferramenta em um livestream recente. Essa afirmação resume o apelo principal do Goose: dar aos desenvolvedores controle total sobre suas tarefas impulsionadas por IA, incluindo a capacidade de trabalhar offline — até mesmo durante um voo. Desde seu lançamento, o projeto tem ganhado tração exponencial. No GitHub, a plataforma de compartilhamento de código, o Goose já acumula mais de 26,1 mil estrelas, com 362 contribuidores e 102 versões lançadas desde seu início. A mais recente, a 1.20.1, foi disponibilizada em 19 de janeiro de 2026, demonstrando um ritmo de desenvolvimento comparável ao de produtos comerciais.

Para desenvolvedores cansados dos limites rigorosos e dos preços abusivos do Claude Code, o Goose surge como uma raridade no mercado de IA: uma opção verdadeiramente gratuita, sem pegadinhas, para trabalho sério. Mas por que o Goose é tão relevante? Para entender isso, é necessário analisar a polêmica em torno dos preços do Claude Code.

A Anthropic, empresa de IA sediada em São Francisco e fundada por ex-executivos da OpenAI, oferece o Claude Code em diferentes planos de assinatura. A versão gratuita sequer permite acesso ao serviço. O plano Pro, que custa US$ 20 por mês (ou US$ 17 com pagamento anual), limita os usuários a apenas 10 a 40 comandos a cada cinco horas — um limite que desenvolvedores intensivos esgotam em questão de minutos. Nos planos superiores, Max (US$ 100 e US$ 200 por mês), os limites aumentam para 50 a 200 comandos e 200 a 800 comandos, respectivamente, além de acesso ao modelo mais potente da empresa, o Claude 4.5 Opus. Mesmo assim, os usuários reclamam das restrições, que continuam a inflamar a comunidade de desenvolvedores.

Em julho do ano passado, a Anthropic anunciou novos limites semanais de uso. Segundo a empresa, usuários do plano Pro recebem de 40 a 80 horas de uso do modelo Sonnet 4 por semana, enquanto os assinantes do plano Max de US$ 200 têm direito a 240 a 480 horas do mesmo modelo, mais 24 a 40 horas do Opus 4. No entanto, cinco meses depois, a frustração dos usuários não diminuiu. O problema? Essas “horas” não são horas reais. Na verdade, elas representam limites baseados em tokens, que variam drasticamente dependendo do tamanho do código, do comprimento das conversas e da complexidade do projeto.

Análises independentes sugerem que os limites reais por sessão equivalem a aproximadamente 44 mil tokens para usuários do plano Pro e 220 mil tokens para o plano Max de US$ 200. “É confuso e vago”, escreveu um desenvolvedor em uma análise amplamente compartilhada. “Quando eles dizem ‘24 a 40 horas do Opus 4’, isso não te diz absolutamente nada útil sobre o que você realmente está recebendo.”

A reação nas redes e fóruns de desenvolvedores tem sido intensa. Muitos relatam atingir seus limites diários em menos de 30 minutos de uso intenso. Outros cancelaram suas assinaturas, chamando as novas restrições de “uma piada” e “inviáveis para trabalho real”. A Anthropic, por sua vez, defendeu as mudanças, afirmando que os limites afetam menos de 5% dos usuários e que o objetivo é coibir quem usa o Claude Code “de forma contínua, 24 horas por dia, 7 dias por semana”. No entanto, a empresa não esclareceu se esses 5% se referem a 5% dos assinantes do plano Max ou a 5% de todos os usuários — uma distinção que faz toda a diferença.

O Goose adota uma abordagem radicalmente diferente para resolver o mesmo problema. Desenvolvido pela Block, a empresa de pagamentos liderada por Jack Dorsey, o Goose é o que os engenheiros chamam de “agente de IA local”. Ao contrário do Claude Code, que envia suas consultas para servidores da Anthropic para processamento, o Goose pode ser executado inteiramente no computador do usuário, usando modelos de linguagem de código aberto que podem ser baixados e controlados localmente.

Segundo a documentação do projeto, o Goose vai “além de sugestões de código” e é capaz de “instalar, executar, editar e testar com qualquer modelo de linguagem”. Essa última parte — “qualquer modelo de linguagem” — é o grande diferencial. O Goose é projetado para ser independente de modelos, ou seja, não fica preso a uma única empresa. Você pode conectá-lo aos modelos da Anthropic se tiver acesso à API, ou usar os da OpenAI (como o GPT-5), do Google (como o Gemini), ou até mesmo serviços como Groq ou OpenRouter. Mas o mais interessante é a possibilidade de executá-lo inteiramente