Greene critica ajuda dos EUA a Israel com moeda israelense em alta

A deputada americana Marjorie Taylor Greene não poupou críticas nas redes sociais ao perceber que a economia de Israel está em franca expansão. Em 21 de abril de 2026, ela publicou no X (antigo Twitter) uma mensagem carregada de indignação: “Por que, afinal, ainda damos bilhões de dólares a eles?”. A congressista, conhecida por suas posições conservadoras, complementou o desabafo destacando que, quando tentou aprovar uma emenda para cortar verbas a Israel, apenas cinco outros deputados a apoiaram. Essa explosão de raiva veio logo após a notícia de que o shekel israelense havia atingido o maior valor em 30 anos frente ao dólar americano.

O avanço do shekel não é brincadeira. Segundo dados do The New Arab, divulgados em 22 de abril de 2026, a moeda israelense chegou a ser negociada a 3,014 shekels por dólar, o melhor desempenho desde 1995. Isso mesmo: três décadas se passaram desde a última vez que o shekel esteve tão forte. Naquele período, a moeda não chegava nem perto de três shekels por dólar, mas agora volta a flertar com esse patamar. O fenômeno chamou a atenção não só por sua magnitude, mas também pela velocidade com que ocorreu, mesmo em um contexto de instabilidade regional.

Mas por que isso está acontecendo? A resposta não é simples e envolve múltiplos fatores. O primeiro deles é a fraqueza generalizada do dólar americano, que afeta diretamente a cotação das moedas estrangeiras. Além disso, a economia israelense tem se mostrado surpreendentemente resiliente, resistindo a choques externos mesmo após mais de dois anos em estado de guerra. Setores como exportações militares e tecnologia espacial também têm impulsionado esse crescimento, segundo analistas. Asher Blass, ex-economista-chefe do Banco de Israel, destacou que a moeda não está apenas se valorizando frente ao dólar, mas também mantendo o ritmo contra outras divisas globais, ainda que de forma menos expressiva.

A resiliência da economia israelense foi reconhecida até pela FMI (Fundo Monetário Internacional), que em fevereiro de 2026 classificou o desempenho do país como “notavelmente resiliente”. As projeções do órgão indicam um crescimento do PIB de 3,5% em 2026, superando ligeiramente os 3,1% registrados no ano anterior. Esse crescimento não é obra do acaso: as exportações de produtos militares e os avanços em setores de alta tecnologia, como o aeroespacial, têm sido os principais motores dessa expansão. Para muitos observadores, é surpreendente que Israel consiga manter tal ritmo em meio a um cenário tão adverso.

No entanto, nem tudo são flores. O conflito entre Israel e Irã, que começou em fevereiro de 2026 e atualmente está em uma trégua de duas semanas, representa uma ameaça constante. Blass alertou que, caso as hostilidades sejam retomadas, os gastos com defesa do país devem disparar, o que poderia comprometer parte desse crescimento. Por enquanto, porém, o shekel segue firme, e é justamente essa força que tem deixado Greene ainda mais irritada. Em uma aparição no programa War Room, do comentarista Steve Bannon, ela anunciou que apresentaria emendas para retirar US$ 500 milhões de ajuda adicional a Israel do projeto de lei de Defesa Nacional (NDAA, na sigla em inglês).

A justificativa de Greene é clara: Israel não é mais um país fragilizado que precise de tanto apoio financeiro. Segundo ela, os EUA já destinam US$ 3,4 bilhões anuais a Israel por meio do Departamento de Estado, e mais US$ 500 milhões não fariam falta no orçamento de defesa americano. A congressista não hesitou em mencionar ainda que Israel possui arsenal nuclear, o que, em sua visão, deslegitima ainda mais a necessidade de ajuda externa. Suas declarações ocorreram em um momento de tensão nas relações entre Washington e Tel Aviv, especialmente após os EUA terem bombardeado instalações nucleares iranianas e as discussões sobre um cessar-fogo em Gaza.

Greene não foi a única voz crítica dentro do Congresso. O deputado Thomas Massie, também do Partido Republicano, já havia questionado as ações do governo americano no Irã, demonstrando que a insatisfação com o apoio incondicional a Israel não é um fenômeno isolado. No entanto, a emenda proposta por Greene não avançou: apenas cinco outros congressistas a apoiaram, o que explica porque ela ainda reclama do tema quase um ano depois. Para ela, o dinheiro americano poderia ser melhor empregado em problemas internos, como a inflação crescente e a desvalorização do dólar, que ela atribui às políticas do governo Trump.

A prosperidade econômica de Israel, mesmo em meio a crises, tem gerado desconforto em setores da política americana. Greene resume a questão em uma pergunta retórica: “Por que ainda financiar um país que está indo tão bem sozinho?”. De fato, Israel não apenas cresce economicamente, como também possui uma moeda forte e não depende de ajuda externa para se sustentar. Isso não significa que o país esteja livre de riscos: o conflito com o Irã permanece uma sombra sobre a economia, e um eventual agravamento das tensões poderia reverter parte dos ganhos recentes. Ainda assim, o atual momento reforça uma mudança de paradigma nas relações entre EUA e Israel.

Nos últimos anos, Washington foi o maior aliado de Israel, mas essa dinâmica começa a apresentar fissuras. O país não é mais aquele Estado frágil dos anos 1950 ou 1960; hoje, é uma potência regional com tecnologia avançada e economia robusta. Se esse cenário levará a mudanças reais na política externa americana, ainda é cedo para dizer. No entanto, a mensagem de Greene nas redes sociais é um sinal claro de que o status quo não agrada a todos. Enquanto o shekel segue batendo recordes, o debate sobre o futuro da ajuda americana a Israel deve ganhar ainda mais força nos próximos meses.