Hands On: RPG de ‘The Expanse’ na PS5 tem potencial, mas protagonista é problema
Demo fechada do jogo ‘Osiris Reborn’ mostra combate intenso e mundo bem construído, mas narrativa deixa a desejar
Tive a oportunidade de testar um trecho da demo fechada de Osiris Reborn, o novo RPG baseado na franquia The Expanse, e uma coisa já ficou clara: apesar de promissor, o jogo enfrenta um grande desafio com seu protagonista. Desenvolvido para PS5, a experiência já demonstra potencial técnico e narrativo, mas ainda deixa dúvidas sobre sua capacidade de cativar os jogadores a longo prazo. Para quem não está por dentro do universo, The Expanse é uma série de livros e uma adaptação televisiva que conquistou fãs de ficção científica hard, um gênero que preza por realismo e ciência rigorosa.
Como não sou um grande conhecedor da franquia – nem li os livros nem assisti à série –, minha abordagem foi a de um jogador comum, chegando ao jogo com expectativas baseadas em outros RPGs de ficção científica, como Mass Effect. A expectativa era encontrar um jogo com diálogos profundos e combates em terceira pessoa, usando cobertura e tiroteios intensos. E, em grande parte, Osiris Reborn entregou isso. Há uma influência clara de Mass Effect na jogabilidade e na estrutura do RPG, mas o diferencial aqui é o mundo de The Expanse, que já é amplamente elogiado por sua construção sólida e coerência científica.
O gênero de ficção científica hard, como o próprio nome sugere, é aquele que se apoia em conceitos científicos plausíveis, mesmo que extrapolados para um futuro distante. Isso já diferencia Osiris Reborn de muitos outros jogos do gênero, que muitas vezes apostam em elementos fantásticos, como magia espacial ou espécies alienígenas exóticas. A demo, no entanto, é curta – cerca de uma hora e meia – e não oferece conteúdo suficiente para formar uma opinião definitiva. O foco principal é o combate, com poucas cenas de diálogo para explorar.
Baseando-me apenas no que foi apresentado, é difícil avaliar o quão robusto será o sistema de RPG do jogo. O que posso afirmar é que o sistema de combate tem um “chute” satisfatório, graças à abordagem hard sci-fi do título. As batalhas são brutais, especialmente em ambiente espacial, onde a falta de gravidade e a física realista tornam os confrontos mais intensos e imprevisíveis. A demo começa com o jogador e seu irmão gêmeo, J, retornando à base da equipe mercenária após uma missão que deu errado. Infelizmente, os inimigos que quase os mataram no início do jogo os seguiram até a estação espacial e lançam um ataque-surpresa.
Do ponto de vista mecânico, as batalhas seguem um padrão comum em RPGs de ação: o jogador se protege para recarregar os escudos e sai para atirar nos inimigos. Há habilidades com tempo de recarga, como granadas, um lançador de mísseis acoplado ao braço e munição de impacto. Embora esses recursos possam parecer convencionais – afinal, a maioria dos jogos de ficção científica prefere apostar em “magia espacial” –, o que chama atenção é como eles interagem com o ambiente.
Osiris Rebound oferece uma destruição ambiental impressionante. Explodir paredes, janelas, móveis e até mesmo as coberturas que o jogador usa como proteção cria um espetáculo visual de partículas e física realista. Esse aspecto é ainda mais explorado quando o jogador pode ordenar aos aliados que explorem os perigos do ambiente para modificar o cenário de batalha. Embora esse recurso possa parecer um pouco forçado no início, ele se mostra mais útil do que aparenta à primeira vista.
Um dos pontos mais impressionantes da demo foram os combates em gravidade zero. Diferentemente de jogos onde o jogador flutua livremente no espaço, em Osiris Reborn os personagens estão ancorados à estação espacial por botas magnéticas. Mecanicamente, os combates não diferem muito dos tiroteios convencionais – ainda é necessário se abrigar e atirar nos inimigos –, mas a sensação de imersão é única. A falta de gravidade faz com que destroços voem de forma realista, e os corpos dos inimigos, quando mortos, flutuam lentamente para o vazio, deixando rastros de sangue em movimento lento.
A trilha sonora e os efeitos sonoros também merecem destaque. O áudio do rádio é claro, mas o restante dos sons é abafado pelo vácuo do espaço, criando uma sensação de realismo. Os tiros soam como um “dum” abafado, semelhante ao som que ouvimos embaixo d’água, enquanto as explosões são mais graves e distantes. Essa atenção aos detalhes faz com que os combates espaciais se sintam autênticos, algo que não víamos com tanta qualidade desde jogos como Dead Space.
Apesar de todos esses pontos positivos, há um problema significativo: o protagonista. Enquanto o mundo e o combate são excelentes, a narrativa e o personagem principal deixam a desejar. Em jogos de RPG, o protagonista costuma ser o elemento que conecta o jogador à história, e quando esse personagem não é carismático ou bem desenvolvido, a experiência pode se tornar menos envolvente. Infelizmente, o protagonista de Osiris Reborn ainda não conseguiu me cativar, e isso pode ser um grande empecilho para o jogo a longo prazo.
Outro ponto que merece atenção é a falta de profundidade na demo. Com apenas uma hora e meia de conteúdo, é difícil avaliar se o jogo terá um sistema de RPG robusto ou se ficará apenas na superfície. Além disso, a ênfase excessiva no combate pode afastar jogadores que buscam uma experiência mais narrativa ou estratégica. No entanto, se o jogo conseguir equilibrar bem esses elementos até o lançamento, Osiris Reborn tem potencial para se tornar um dos RPGs de ficção científica mais interessantes dos últimos anos.
Por enquanto, Osiris Reborn é um título promissor, com uma construção de mundo impressionante e combates que se destacam pela física realista e destruição