Prefeito de Baltimore apoia funcionários da Apple em Towson
O prefeito de Baltimore, Brandon M. Scott, uniu-se a uma crescente lista de autoridades que pedem que a Apple reveja sua decisão de fechar a loja da empresa no Towson Town Center. A medida chega em um momento de forte tensão entre a gigante tecnológica e seus funcionários sindicalizados, que alegam tratamento desigual. Com o fechamento programado para 20 de junho, a Apple encerra três de suas lojas nos Estados Unidos, incluindo a unidade de Towson, que se tornou histórica por ser a primeira loja da Apple no país a se sindicalizar. Desde então, o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Aeroespacial (IAM, na sigla em inglês) acusa a empresa de negligenciar os funcionários de Towson, oferecendo menos oportunidades de realocação em comparação com os colegas de outras lojas que também serão fechadas.
A Apple, por sua vez, defende que seu acordo com o sindicato prevê apenas a transferência dos funcionários para unidades a até 50 milhas (cerca de 80 km) de distância da loja de Towson, com indenização para aqueles que não puderem ser realocados. Além disso, a empresa afirma que não tem planos de abrir uma nova loja dentro desse raio, o que agrava a situação dos trabalhadores. A controvérsia ganhou ainda mais força após declarações de legisladores estaduais e federais, incluindo o governador de Maryland, Wes Moore, que se posicionou publicamente a favor dos empregados sindicalizados.
Agora, o prefeito de Baltimore, Brandon M. Scott, também manifestou seu apoio aos trabalhadores de Towson. Em uma publicação na plataforma X (antigo Twitter), o chefe do Executivo municipal argumentou que o fechamento da loja vai além do impacto imediato nos funcionários, afetando toda a comunidade local. Segundo Scott, a decisão da Apple representa um abandono da cidade que contribuiu para o sucesso da empresa, além de afastar serviços essenciais dos moradores. “Eu vejo vocês, estou ao lado de vocês e continuarei lutando por um tratamento justo”, escreveu o prefeito, em referência aos trabalhadores da IAM Local 4538.
Em seu post, o prefeito também exigiu que a Apple oferecesse aos funcionários de Towson as mesmas condições dadas aos empregados das lojas não sindicalizadas, prometendo “lutar por justiça” em nome deles. A declaração do prefeito reforça a pressão sobre a Apple, que já enfrenta críticas de políticos em Maryland e em todo o país. O governador Wes Moore, por exemplo, também se manifestou contra o fechamento, destacando a importância da unidade para a região. A IAM International, por sua vez, agradeceu publicamente o apoio do prefeito Scott e reiterou o apelo à Apple para que reconsidere a decisão antes do fechamento definitivo da loja, marcado para o próximo sábado (20 de junho).
Em resposta às críticas, a Apple manteve sua posição e não anunciou mudanças na data de fechamento nem nas políticas de realocação. Desde seu comunicado oficial, emitido em 28 de abril, a empresa não emitiu novos posicionamentos sobre o caso. A falta de flexibilidade da gigante da tecnologia tem sido alvo de questionamentos, especialmente porque as outras duas lojas fechadas (em Nova York e no Texas) não eram sindicalizadas, o que, segundo os críticos, evidencia um tratamento discriminatório. Enquanto isso, os funcionários de Towson seguem em alerta, temendo pela perda de empregos e pela ausência de opções viáveis de recolocação na região.
A situação coloca em xeque não apenas a imagem da Apple como empregadora, mas também sua relação com os trabalhadores e as comunidades onde atua. A empresa, conhecida por sua marca premium e por políticas inovadoras em outros aspectos, agora enfrenta acusações de injustiça trabalhista. O caso de Towson pode se tornar um marco na discussão sobre direitos dos funcionários em empresas de tecnologia, especialmente em um setor onde a sindicalização ainda é rara e muitas vezes vista com resistência.
Para os moradores de Baltimore, a saída da Apple representa mais do que a perda de uma loja: é a saída de um símbolo de inovação e modernidade da cidade. A unidade de Towson, inaugurada em 2016, sempre foi um ponto de referência não só para a compra de produtos, mas também como espaço de interação e experiência tecnológica. Com o fechamento, a comunidade local perde não apenas empregos, mas também um local que ajudou a impulsionar o comércio e o turismo na região. Prefeitos e vereadores de Baltimore já sinalizam que vão pressionar a Apple para que, no mínimo, ofereça compensações justas aos trabalhadores afetados.
Enquanto a Apple não recua, os funcionários de Towson e seus apoiadores seguem mobilizados. Petições online, manifestações e apelos nas redes sociais têm ganhado força, com a hashtag #SaveAppleTowson circulando entre ativistas e defensores dos direitos trabalhistas. A batalha jurídica e política promete se estender nos próximos dias, com a IAM Local 4538 dispostos a levar a questão a tribunais e instâncias governamentais. A pergunta que fica é: até quando a Apple vai ignorar os apelos por justiça, enquanto sua imagem de empresa socialmente responsável continua a ser questionada?