Rastreadores Bluetooth: veja como concorrentes do AirTag se saíram

Nos últimos anos, rastreadores Bluetooth transformaram a forma como localizamos objetos perdidos. Desde chaves até mochilas e carteiras, esses pequenos dispositivos prometem acabar com o drama de procurar itens que desaparecem no dia a dia. Mas como será que eles realmente funcionam na prática? Para descobrir, decidi esconder quatro rastreadores — incluindo o famoso AirTag da Apple — e avaliar sua confiabilidade em condições reais. Os resultados surpreenderam até mesmo os mais céticos.

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Minha relação com rastreadores começou há anos, mas nada se comparou à revolução trazida pelos AirTags da Apple. Meu avô sempre dizia que “cada coisa no seu lugar”, mas, por mais que eu tente, nunca fui organizado. Perder chaves, carteiras ou até mesmo o controle da TV era uma constante. Até que os AirTags chegaram: bastou grudar um em cada objeto importante para que minha vida mudasse drasticamente. A frustração de procurar algo sumido desapareceu, e até as viagens ficaram menos estressantes. Não demorou para que o mercado de rastreadores de terceiros explodisse, oferecendo alternativas mais baratas — mas será que elas são tão boas?

Os AirTags da Apple são pequenos, leves e funcionam com uma bateria que dura cerca de um ano. Eles não dependem apenas de Bluetooth: usam também a tecnologia Ultra-Wideband (UWB), que permite localização mais precisa e economia de energia. Antes dos AirTags, eu usava rastreadores Tile, que são eficientes, mas tinham uma rede de usuários limitada. Se eu perdesse algo longe de casa, as chances de alguém com o app Tile passar por perto eram pequenas — embora a situação tenha melhorado desde então. A UWB, no entanto, oferece vantagens claras: maior alcance, precisão de centímetros e segurança reforçada contra rastreamento indesejado.

Quando os AirTags foram lançados, fiz um teste inusitado: escondi quatro deles pela Escócia para ver como eram detectados por iPhones em carros ou bolsos de pedestres. O resultado foi impressionante: recuperei três deles sem problemas. O quarto, infelizmente, foi vítima de uma roçadeira de grama e só foi detectado novamente quatro horas depois, em um aterro sanitário. Cinco anos depois, os AirTags evoluíram: a segunda geração tem Bluetooth aprimorado, alto-falante mais potente e chip U2, que amplia o alcance do “Encontrar Preciso” e adiciona suporte ao Apple Watch. Agora, com a chegada do Find Hub da Google — uma resposta ao Find My da Apple — é hora de testar como os concorrentes se comportam.

Para esse novo desafio, decidi fazer uma viagem de carro e espalhar rastreadores pelo caminho. Meu objetivo era comparar o desempenho das redes Find My (Apple) e Find Hub (Google) em termos de precisão, cobertura e confiabilidade. Também queria testar o recurso “Modo Perdido”, que alerta quando um item é encontrado por outro usuário da rede. Além dos AirTags, levei rastreadores de marcas como Chipolo e Samsung SmartTag 2, todos escondidos em locais estratégicos ao longo do trajeto.

Os resultados foram mistos. Os AirTags se destacaram pela precisão milimétrica graças à UWB, especialmente quando usados com iPhones ou Apple Watches. O chip U2 realmente faz diferença em ambientes fechados ou com muitos obstáculos. Já os rastreadores da Chipolo, embora eficientes, dependem mais do Bluetooth e tiveram dificuldades para serem localizados em áreas afastadas. O SmartTag 2 da Samsung, por sua vez, ofereceu uma boa cobertura no ecossistema Android, mas ainda fica atrás da Apple em termos de integração e precisão.

Outro ponto crucial é a duração da bateria. Enquanto os AirTags da segunda geração prometem até um ano de uso, alguns concorrentes exigem recargas mais frequentes. O Chipolo One Spot, por exemplo, tem bateria substituível, mas o processo é mais trabalhoso. Já o Samsung SmartTag 2 tem bateria de longa duração, mas pode não ser tão duradouro quanto a da Apple. Em viagens longas, essa diferença pode ser decisiva. Além disso, o suporte ao “Modo Perdido” variou bastante: enquanto os AirTags notificam o proprietário imediatamente ao serem detectados, alguns rastreadores de terceiros só atualizam o status periodicamente.

Por fim, a segurança também entrou na avaliação. Os AirTags são conhecidos por seu sistema antifurto, que emite alertas em dispositivos Apple quando um rastreador desconhecido estiver perto do usuário. A Google adotou medidas semelhantes com o Find Hub, mas a implementação ainda não é tão refinada. Rastreadores de marcas menos conhecidas podem ser mais vulneráveis a clonagem ou rastreamento não autorizado. Nesse aspecto, a Apple mantém sua liderança, oferecendo uma camada extra de proteção para os usuários.

Se você está em busca de um rastreador, a escolha depende das suas necessidades. Para usuários de iPhone, os AirTags são praticamente imbatíveis, graças à UWB e à ampla rede Find My. Quem usa Android pode optar pelo SmartTag 2 da Samsung ou modelos da Chipolo, mas deve estar ciente das limitações em precisão e cobertura. Independentemente da marca, esses dispositivos são um alívio para quem vive perdendo coisas — e, no final das contas, valem cada centavo investido.