Slay the Spire 2: Atualização causa nova onda de avaliaçõ…

O jogo de estratégia e cartas vive mais uma polêmica envolvendo jogadores chineses e mudanças de equilíbrio. Pela segunda vez em 30 dias, Slay the Spire 2 está sofrendo com uma enxurrada de avaliações negativas no Steam. Até o momento desta publicação, mais de 3.600 críticas negativas foram registradas nas últimas 12 horas, e, como ocorreu anteriormente, a grande maioria dessas avaliações vem de contas localizadas na China. O cenário reacendeu debates sobre a cultura de review-bombing na plataforma, especialmente em países com restrições a redes sociais ocidentais, como é o caso da China, onde plataformas como X (antigo Twitter) e Discord são bloqueadas pelo chamado “Grande Firewall”. Nessas situações, muitos usuários recorrem à tática de inundar a loja digital com notas baixas como forma de protesto, acreditando ser a única maneira de terem suas vozes ouvidas pelo desenvolvedor.

A polêmica atual teve início com o lançamento do Major Update #1 da Mega Crit, que trouxe uma série de ajustes para a versão principal do jogo — aquela utilizada pela esmagadora maioria dos jogadores. Diferentemente das atualizações anteriores, este patch não se limitou a correções de bugs ou conteúdo exclusivo para a versão beta, mas sim integrou todas as novidades testadas anteriormente no ramo de testes. Entre as mudanças, destacam-se dezenas de novas artes, correções de problemas técnicos, adição de relíquias (itens passivos que conferem bônus permanentes) e até mesmo cartas inéditas, como a Not Yet para a classe Ferreiro, que recupera 10 pontos de vida ao ser jogada. Enquanto muitos jogadores elogiam as melhorias, um grupo significativo, especialmente no território chinês, tem criticado duramente as alterações no equilíbrio do jogo. As principais queixas giram em torno da remoção de estratégias consideradas “infinitas” — combos que permitiam causar dano ilimitado em uma única rodada — e ajustes na luta contra o chefe Doormaker, que agora ofereceria menos resistência.

Outro ponto de tensão envolve declarações de Anthony Giovannetti, cofundador da Mega Crit, que, em março deste ano, pediu educadamente aos fãs que utilizassem o sistema de denúncia interna do jogo para reportar problemas, em vez de recorrerem ao review-bombing. No entanto, a estratégia parece não ter funcionado, uma vez que a prática persistiu. Para os observadores do cenário, esse padrão levanta questões sobre a eficácia dos canais oficiais de comunicação em países onde o acesso a redes sociais globais é restrito. No Brasil, por exemplo, embora não haja bloqueios tão severos quanto na China, muitos jogadores também utilizam as avaliações do Steam como forma de pressão por mudanças ou correções, especialmente quando se sentem ignorados pelas desenvolvedoras. A Mega Crit, contudo, já demonstrou em outras ocasiões que não cede a pressões massivas, priorizando o que considera melhorias genuínas para a experiência do jogador.

Para os fãs do gênero, a polêmica pode até ser desanimadora, mas a realidade é que o jogo vem recebendo atualizações consistentes desde seu lançamento. Quem acompanha o Slay the Spire 2 desde a fase beta pode atestar que cada patch trouxe melhorias significativas, inclusive tornando o jogo mais acessível, ao contrário do que sugerem as críticas. A remoção de combos excessivamente poderosos, por exemplo, visa justamente evitar que partidas se tornem monótonas ou desbalanceadas, incentivando os jogadores a explorarem novas estratégias. Além disso, a inclusão de cartas e relíquias diversifica as possibilidades de construção de baralhos, oferecendo mais profundidade ao sistema de progressão. Para quem ainda não experimentou, vale ressaltar que o título é um dos representantes mais sólidos do gênero deck-building — mecânica na qual o jogador constrói e otimiza seu baralho ao longo da partida. Com uma narrativa envolvente, gráficos atraentes e um sistema de recompensas bem estruturado, o jogo continua a cativar tanto veteranos quanto novatos, mesmo diante das turbulências ocasionais no cenário competitivo e comunitário.