Verbatim e I-O Data mantêm Blu-ray vivo no Japão
O mercado de mídias ópticas físicas enfrenta declínio há mais de uma década, impulsionado pela ascensão do armazenamento em nuvem, plataformas de *streaming* e distribuição digital sob demanda. Essa transformação levou fabricantes a reavaliar suas prioridades, resultando na redução ou até mesmo no abandono da produção de gravadores de Blu-ray no mercado doméstico japonês. Segundo dados da Associação de Indústrias Elétricas e Eletrônicas do Japão (JEITA), os envios de gravadores Blu-ray despencaram cerca de 90% no país, caindo de 6,3 milhões de unidades em 2011 para apenas 620 mil unidades projetadas para 2025. A Sony, que já havia reduzido significativamente sua linha de produtos, encerrou oficialmente a fabricação de gravadores Blu-ray domésticos em fevereiro deste ano, encerrando uma trajetória que já operava em volumes mínimos há tempos.
A saída de grandes players do setor não se limitou à Sony. A Buffalo, por meio de sua divisão japonesa, anunciou que não lançaria novos modelos de gravadores Blu-ray portáteis USB, enquanto a Elecom interrompeu a produção de drives externos, com as últimas remessas previstas para junho de 2024. A LG, outro gigante do setor, já havia deixado o mercado em 2024, após lançar seu último produto Blu-ray em 2018. Essa onda de desistências poderia sugerir o fim iminente do formato, mas dois fabricantes menores estão apostando em um nicho que ainda resiste: a Verbatim Japan e a I-O Data decidiram reforçar sua parceria para manter os produtos graváveis de Blu-ray disponíveis no Japão.
Em comunicado conjunto, as duas empresas afirmaram que irão garantir o fornecimento de componentes e adaptar suas linhas de produção para continuar desenvolvendo novos produtos e abastecendo o mercado interno. Essa decisão não é inédita: em fevereiro do ano passado, ambas já haviam feito um anúncio similar focado em mídias de disco após a Sony fechar sua última fábrica doméstica de Blu-ray gravável. Agora, a parceria se expande para incluir também componentes de drives e produtos finais, demonstrando um compromisso mais amplo com o formato. Por enquanto, a Panasonic é a única fabricante japonesa integrada verticalmente que ainda produz gravadores de TV Blu-ray, como o modelo DMR-ZR1 4K DIGA.
Apesar do cenário de retração, a Panasonic recentemente pediu desculpas aos consumidores pela incapacidade de atender à demanda pelo gravador DMR-ZR1 4K DIGA, prometendo aumentar a produção para suprir o mercado. Esse movimento reforça a ideia de que ainda existe um público fiel que valoriza o armazenamento físico de dados, especialmente para preservação de arquivos importantes. Antes de anunciarem o novo compromisso, a Verbatim Japan e a I-O Data já haviam lançado em fevereiro deste ano o BD Reco, um drive externo de Blu-ray compatível com Windows. Segundo a I-O Data, o dispositivo “tem despertado grande interesse entre os consumidores”.
“Reconhecemos novamente que a necessidade de gravar dados que se deseja manter em um disco físico ainda existe de verdade”, declarou a empresa em comunicado. Embora o Blu-ray ocupe um nicho específico, suas limitações práticas são evidentes. Muitos usuários ainda dependem de discos de camada única de 25GB, apesar da disponibilidade de opções de maior capacidade. Essa restrição fica ainda mais evidente ao lidar com arquivos de vídeo de alta resolução, cujas necessidades de armazenamento frequentemente superam o limite de uma única camada. Existem formatos de múltiplas camadas, mas preocupações com custo e confiabilidade inibem sua adoção em larga escala.
Além disso, o Blu-ray ainda oferece qualidade superior de vídeo e áudio em comparação a muitos serviços de *streaming*, especialmente em resoluções 4K UHD. Contudo, permanece incerto se essa vantagem é suficiente para sustentar uma demanda mais ampla a longo prazo. Enquanto o mercado massivo migra para soluções digitais, um grupo de consumidores continua a preferir a segurança e a durabilidade de um disco físico — mesmo que isso signifique lidar com limitações técnicas e custos elevados. A aposta da Verbatim e da I-O Data pode não reverter a tendência de declínio, mas certamente garante que o formato sobreviva por mais algum tempo no Japão.
Para especialistas, o caso ilustra como nichos podem sobreviver mesmo em setores dominados por tecnologias mais modernas. “O armazenamento físico ainda tem seu valor para quem precisa de cópias seguras e duradouras”, afirmou um analista de mercado ouvido pela *Tom’s Hardware*. Enquanto a maioria dos usuários opta pela praticidade do *cloud storage* ou do *streaming*, uma parcela minoritária — composta por profissionais de mídia, arquivistas e entusiastas de tecnologia — segue defendendo o Blu-ray como uma opção confiável. Nesse contexto, a decisão das duas empresas japonesas pode ser vista como um ato de resistência em um mercado cada vez mais dominado pelo digital.
Por enquanto, resta saber se outros fabricantes seguirão o exemplo da Verbatim e da I-O Data ou se o Blu-ray continuará a encolher até se tornar uma relíquia do passado. Uma coisa é certa: enquanto houver quem prefira ter seus dados guardados em um disco físico, o formato ainda terá um espaço garantido — mesmo que mínimo. No Japão, ao menos, duas empresas decidiram apostar nele.