Tecnologia redefine ‘natureza’ e acelera inovações

O mundo moderno enfrenta uma contradição intrigante: quando falamos em “natureza”, imaginamos algo intocado pelo homem, mas hoje isso praticamente não existe mais. Microplásticos encontrados em animais da floresta amazônica e luz artificial no Oceano Ártico são apenas dois exemplos de como a influência humana atingiu até mesmo os cantos mais remotos do planeta. Nesse cenário, o que realmente significa “natureza”? E seria válido usar tecnologia para tentar tornar o mundo mais “natural”? Essas são algumas das questões centrais exploradas na nova edição especial da *MIT Technology Review*, voltada para o tema “Natureza”. A publicação investiga desde pássaros que perderam a capacidade de cantar até lobos que já não são mais lobos, passando por gramas que sequer são mais gramíneas. Além disso, a revista busca respostas para o significado da vida sob o gelo do Ártico, dentro de nós mesmos e até mesmo em um futuro distante em outro planeta, com uma ficção inédita do aclamado autor Jeff VanderMeer. O objetivo é analisar como a tecnologia transformou nosso planeta e como poderia ajudar a repará-lo.

A ascensão dos modelos de linguagem como o ChatGPT, em 2022, transformou a inteligência artificial em uma ferramenta cotidiana para milhões de pessoas. O que começou como um experimento inovador se tornou um “aplicativo de tudo” para muita gente, impulsionando uma corrida tecnológica frenética entre empresas que disputam para lançar versões rivais. Mas qual será o próximo grande marco após os LLMs (Large Language Models)? Segundo o analista Will Douglas Heaven, da *MIT Technology Review*, a resposta é simples: LLMs+, ou seja, modelos de linguagem aprimorados. Essas novas versões prometem ser mais baratas, eficientes e poderosas, representando um passo evolutivo natural no desenvolvimento da IA. A publicação destacou os LLMs+ em sua lista “10 Coisas que Importam em IA Agora”, um guia essencial para navegar pelo universo agitado da tecnologia. A série explora um item por dia nesta coluna *The Download*, mantendo os leitores atualizados sobre o que realmente vale a pena acompanhar.

A energia de fusão nuclear surge como uma promessa de fornecer eletricidade estável e livre de emissões, desde que as empresas consigam viabilizar e operar suas usinas. No entanto, um estudo recente publicado na *Nature Energy* aponta que, mesmo que esse futuro se concretize, o custo pode não ser tão acessível quanto muitos esperam. A pesquisa buscou aprimorar as previsões sobre o preço da fusão ao estimar sua “taxa de experiência” — o percentual pelo qual os custos diminuem a cada duplicação da capacidade instalada. Os resultados oferecem pistas valiosas sobre o caminho para a implantação dessa tecnologia. Segundo Casey Crownhart, autora do texto, os achados sugerem que, embora a fusão seja promissora, seu desenvolvimento pode esbarrar em desafios econômicos significativos. Essa análise faz parte da newsletter semanal *The Spark*, focada em clima e inovações sustentáveis, enviada toda quarta-feira aos assinantes.

Na política e no mercado, a relação entre tecnologia e poder continua a gerar polêmicas. Recentemente, expoentes como Donald Trump sinalizaram abertura para reverter a proibição imposta à Anthropic, empresa de IA, embora os detalhes práticos ainda sejam incertos. Enquanto isso, a Anthropic negou existência de um “botão de desligar” para seus sistemas de IA, reforçando os debates sobre segurança e controle desses modelos. Outra questão urgente envolve o uso de IA em guerras: a ideia de “humanos no loop” (intervenção humana em decisões automatizadas) pode ser mais uma ilusão do que uma realidade prática, conforme alerta a *MIT Technology Review*. Esses temas são apenas parte de um cenário complexo que mistura inovação, ética e geopolítica.

No setor espacial, a SpaceX anunciou planos ambiciosos de fabricar seus próprios GPUs (unidades de processamento gráfico) para dar suporte às suas crescentes ambições em IA. Paralelamente, Elon Musk estaria redirecionando o foco da SpaceX, afastando-se temporariamente da colonização de Marte em favor do desenvolvimento de inteligência artificial, estratégia que poderia influenciar até mesmo a próxima oferta pública inicial (IPO) da empresa. Essa mudança de rumo não está isenta de riscos, pois a Tesla e a SpaceX agora parecem caminhar para uma possível colisão de interesses, segundo analistas do *Financial Times*. Enquanto isso, o gigante chinês Tencent revelou seu primeiro modelo de IA de ponta, liderado por um ex-pesquisador da OpenAI, ampliando a competição global nesse setor. A rápida disseminação de modelos abertos na China também chama atenção, demonstrando como o país está se tornando um ator-chave no ecossistema de IA.

A desigualdade no mercado de trabalho também se intensifica com a adoção de IA. Segundo o *Financial Times*, trabalhadores de alta renda estão avançando mais rapidamente na implementação de ferramentas de inteligência artificial, o que pode aprofundar ainda mais as disparidades salariais. Startups, inclusive, já se vangloriam de gastar mais com IA do que com salários de seus funcionários, uma tendência que levanta questões sobre prioridades e valores corporativos. Em outro front, milhares de funcionários da divisão de chips da Samsung estão exigindo uma fatia de 15% dos lucros operacionais gerados pelos avanços em IA, mostrando como a tecnologia está redefinindo relações trabalhistas e expectativas financeiras.

A criatividade — ou a falta dela — também está em pauta quando o assunto é cibercrime. Hackers coreanos com habilidades medianas estão utilizando IA para criar malwares de forma mais rápida e eficiente, um fenômeno apelidado de “vibe coding”. Essa prática tornou os crimes virtuais mais acessíveis e perigosos, conforme relatado pela *Wired*. Além disso, a plataforma de apostas Kalshi suspendeu três candidatos políticos por terem feito apostas em suas próprias campanhas eleitorais, incluindo um democrata e um republicano concorrendo ao Congresso. Enquanto isso, um candidato independente admitiu ter feito isso para chamar atenção para os mercados de previsão, que legisladores argumentam ser uma brecha para jogos de azar disfarçados. Em outro marco tecnológico, um robô de tênis de mesa da