Robô vence jogadores profissionais de tênis de mesa
Um robô equipado com inteligência artificial (IA) venceu jogadores profissionais de tênis de mesa, demonstrando a capacidade da tecnologia de atuar em ambientes dinâmicos e imprevisíveis. Desenvolvido pela Sony AI, o robô chamado Ace competiu em partidas oficiais, seguindo as mesmas regras e com arbitragem humana, atingindo um marco histórico na robótica e IA.
O sucesso do Ace representa um avanço significativo, pois o tênis de mesa é um esporte que exige decisões rápidas, precisão milimétrica e adaptação constante a situações adversas. Diferente de jogos digitais, onde a IA já supera humanos há anos, o desafio aqui envolve interações físicas em tempo real, com movimentos que muitas vezes ultrapassam os limites da reação humana.
Segundo Peter Dürr, líder do projeto na Sony AI e autor principal de um estudo publicado na revista Nature, o objetivo não era apenas criar um robô vencedor, mas entender como sistemas robóticos podem perceber, planejar e agir em ambientes complexos e em constante mudança. As técnicas desenvolvidas para o Ace podem ser aplicadas em diversos setores, como fábricas, serviços, segurança e até entretenimento.
O robô utiliza nove câmeras de alta velocidade, três sistemas de visão e oito articulações para executar jogadas rápidas e precisas. As câmeras capturam movimentos que seriam um “borrão” para o olho humano, permitindo que o Ace rastreie a bola com extrema eficiência. A estrutura mecânica foi projetada com oito articulações: três para posicionar a raquete, duas para ajustar sua orientação e três para controlar a velocidade e força dos golpes.
Em abril de 2025, o Ace venceu três de cinco partidas contra jogadores de elite, mas perdeu duas para profissionais, o nível máximo de habilidade no esporte. No entanto, após melhorias no sistema, o robô conseguiu superar atletas profissionais em dezembro de 2025 e novamente em março de 2026, consolidando sua superioridade contra humanos de alto desempenho.
A imprevisibilidade do Ace é um de seus maiores trunfos. Mayuka Taira, profissional que enfrentou o robô em dezembro, destacou que a falta de emoções e reações do robô torna impossível antecipar seus movimentos. “Como não é possível ler suas reações, fica difícil saber quais golpes ele tem dificuldade ou facilidade, o que torna o jogo contra ele extremamente desafiador”, afirmou.
O estudo da Sony AI reforça que, embora a IA já domine jogos digitais como xadrez e Go, o tênis de mesa apresenta um desafio único: a necessidade de adaptação constante a um adversário imprevisível e a trajetórias de bola extremamente rápidas. Enquanto em jogos virtuais o ambiente é controlado, no tênis de mesa a bola pode mudar de direção de forma abrupta, exigindo máxima atenção e controle tanto de humanos quanto de robôs.
Além do tênis de mesa, outras tecnologias robóticas também têm se destacado em competições físicas. Recentemente, robôs superaram atletas humanos em uma meia-maratona em Pequim, demonstrando que a IA e a robótica estão avançando rapidamente em áreas antes dominadas apenas por pessoas. Esses avanços abrem caminho para aplicações práticas em setores como manufatura, assistência médica e até segurança pública.
O projeto da Sony AI não se limita a vencer partidas, mas sim a desenvolver sistemas robóticos capazes de interagir com o mundo real de forma ágil e eficiente. Dürr acredita que as técnicas empregadas no Ace podem ser adaptadas para outras áreas que exigem respostas rápidas e interações complexas com pessoas, como fábricas automatizadas ou assistentes pessoais.