Crimson Desert: Como o jogo evoluiu um mês após lançamento
O jogo Crimson Desert, desenvolvido pela Pearl Abyss, emergiu sem grande alarde no final de 2025 e rapidamente se tornou um dos títulos mais aguardados de 2026. Com um mundo aberto vasto e um sistema de RPG de única jogabilidade em um cenário de fantasia, o game conquistou rapidamente os jogadores no Steam e no PlayStation 5. Embora tenha apresentado controles instáveis, arte gerada por IA e uma linha de missões confusa, adicionada tardiamente ao desenvolvimento, nada disso impediu que os jogadores dedicassem centenas de horas explorando o mundo hiper-realista de Crimson Desert. A situação só melhorou graças ao esforço incessante da Pearl Abyss, que lançou atualizações quase diariamente, corrigindo bugs, implementando novas habilidades e ajustando configurações com base no feedback dos jogadores. Quase um mês após o lançamento, em 19 de abril, o jogo está em uma condição muito melhor do que na estreia e pode se consolidar como um dos grandes lançamentos do ano.
A recepção inicial do jogo foi mista, com críticas divididas entre elogios e decepções. Jason Schreier, da Bloomberg, escreveu no Bluesky, um dia antes do lançamento: “Parece um jogo feito para quem só quer consumir conteúdo”. Muitos críticos destacaram a imensidão e a beleza visual do RPG, mas pouco mais do que isso. O site Polygon, após 10 horas de gameplay, publicou: “O vasto mundo aberto de Crimson Desert não me mostrou NADA de interessante”. A avaliação inicial no Metacritic foi de 78 pontos, um número sólido, mas que decepcionou muitos fãs após meses de hype intenso. Embora alguns reviews tenham elogiado a mecânica de combate e outros aspectos, como o trabalho de Paul Tassi, da Forbes, que teceu elogios ao jogo, as críticas negativas sobre os controles problemáticos foram unânimes.
Os controles instáveis logo se tornaram o principal alvo de reclamações dos jogadores. Um post no Reddit com o título “Piores controles que já vi em um jogo. Falando sério” exemplifica a frustração geral. Quem experimentou o game antes das atualizações percebeu como o movimento era pouco responsivo, a navegação nos menus era complicada e até mesmo tarefas simples, como pegar objetos ou usar habilidades, eram um desafio. A situação chegou ao ponto de a Pearl Abyss prometer melhorias significativas nos controles em atualizações futuras, reconhecendo o problema e buscando soluções.
Apesar dos problemas técnicos, Crimson Desert conquistou os fãs com pequenos detalhes que fizeram a diferença. Um dos recursos mais populares permitia aos jogadores pegar gatos espalhados pelo mundo, carregá-los nos braços e acariciá-los enquanto exploravam as cidades. A internet, conhecida por seu amor aos felinos, abraçou essa funcionalidade com entusiasmo. Um usuário no Steam comentou: “Cheguei à primeira vila, cumprimentei todo mundo e notei o gato da aldeia. Ao tentar acariciá-lo, o peguei no colo e pude passear pela vila com ele nos braços, acariciando enquanto cumpria minhas tarefas. O jogo é incrível, recomendo muito”. Em meio a críticas sobre a narrativa fraca e problemas de desempenho, a possibilidade de interagir com gatos se tornou um dos pontos altos do game.
A polêmica envolvendo arte gerada por IA também ganhou destaque logo após o lançamento. Jogadores identificaram pinturas estranhas e sem sentido espalhadas pelo jogo, com imagens que pareciam ter sido criadas por uma máquina sem criatividade ou cuidado. A Pearl Abyss alegou que se tratava de arte temporária que havia sido deixada acidentalmente no jogo e prometeu removê-la em atualizações futuras. A situação gerou uma onda de posts nas redes sociais, onde desenvolvedores compartilharam exemplos de artes temporárias que haviam usado em jogos passados, destacando que aquelas imagens não eram produzidas por IA controversa e serviam como aviso para evitar que fossem incluídas acidentalmente em lançamentos.
Nos quatro dias seguintes ao lançamento, a Pearl Abyss lançou três atualizações para Crimson Desert, focadas em corrigir os controles problemáticos, consertar bugs e implementar melhorias na qualidade de vida. Essa foi apenas a primeira fase de um processo agressivo de atualizações que continua até hoje, com a desenvolvedora utilizando o feedback dos jogadores para aprimorar constantemente o game. O esforço parece ter valido a pena: a classificação do jogo no Steam, que inicialmente estava abaixo de 51% de avaliações positivas, saltou para impressionantes 80% após as primeiras atualizações. Até 17 de abril, a porcentagem de reviews positivos atingiu 86%, um número que se aproxima do hype pré-lançamento.
Apesar das melhorias, nem todos os jogadores se convenceram a continuar com o jogo. Um jogador que dedicou cerca de 12 horas ao Crimson Desert relatou que, mesmo com as atualizações, o mundo parecia vazio e sem atrativos, e nenhuma missão o envolveu de fato. Embora admita que, com mais 30 horas de jogo, possa encontrar algo mais interessante, o jogador optou por não investir mais tempo em um título que não oferecia, naquele momento, uma experiência satisfatória. “Mas, ei, as pedras são lindas”, brincou, destacando a beleza visual do game mesmo diante de suas falhas.
Mesmo para aqueles que não se apaixonaram pelo game, Crimson Desert reserva detalhes impressionantes que merecem ser explorados. Um exemplo curioso é a possibilidade de cozinhar carne crua usando apenas o poder do sol, uma mecânica que surpreendeu muitos jogadores. Além disso, a desenvolvedora já sinalizou que pode portar o game para o Nintendo Switch 2, embora isso ainda esteja em fase de pesquisa e desenvolvimento. O CEO da Pearl Abyss, Heo Jin-young, afirmou em março que a equipe está avaliando a possibilidade, mas que, devido às limitações técnicas do console, seria necessário oferecer uma versão mais enxuta do jogo. “Como o Switch ainda tem especificações inferiores em comparação a outros consoles, precisamos abrir mão de alguns aspectos. Internamente, já demonstramos interesse e iniciamos pesquisas”, declarou.
Outro ponto de discussão entre os jogadores é a falta de inimigos no mundo de Crimson Desert. Após horas de gameplay, muitos perceberam que, ao eliminar bandos de inimigos e fortes, as áreas ficam completamente vazias, com patrulhas reduzidas drasticamente. Um jogador no Reddit reclamou: “Mesmo os acampamentos de bandidos ficam vazios após serem limpos. As patrulhas diminuem muito quando facções pacíficas assumem o controle. Jogando por seis horas ontem, tive apenas DUAS batalhas no total. DUAS. E elas duraram menos de 10 segundos porque eu derrotei todos com um ou dois golpes”. Muitos esperam que a Pearl Abyss adicione uma opção para que os inimigos reapareçam, como ocorre em outros RPGs de mundo aberto, como The Elder Scrolls V: Skyrim. Dada a dedicação da desenvolvedora em adicionar recursos com base no feedback dos jogadores, é provável que essa funcionalidade seja implementada em futuras atualizações.
Até meados de abril, Crimson Desert já havia vendido mais de cinco milhões de cópias, um feito impressionante em uma indústria onde muitos lançamentos recentes não conseguem atingir esse patamar. A Pearl Abyss celebrou o marco em suas redes sociais, agradecendo aos jogadores pelo apoio. “Obrigado a todos os Greymane que se juntaram a nós nessa jornada, exploraram o mundo de Pywel e apoiaram o jogo”, escreveu a desenvolvedora no Twitter. “Alcançar esse marco não teria sido possível sem o apoio de vocês, e somos verdadeiramente gratos”. O sucesso comercial do jogo contrasta com a dificuldade de muitos outros títulos de serviço ao vivo, como o shooter Last Flag, que não conseguiu conquistar um público significativo após seu lançamento.
Crimson Desert também se destacou por ser um dos poucos jogos a conquistar cinco prêmios importantes, um feito que só havia sido atingido antes pelo RPG Baldur’s Gate 3, lançado em 2023. Além disso, o game chamou a atenção por sua narrativa autobiográfica em The Quiet Things, um jogo sobre trauma na infância, e por sua mecânica inovadora em títulos como The Machine, onde um robô precisa ser removido de um campo de batalha por uma equipe humana. Enquanto a indústria de games enfrenta desafios, como cortes de funcionários na Iron Galaxy para se adaptar às mudanças do mercado, Crimson Desert surge como um exemplo de como o feedback dos jogadores e atualizações constantes podem transformar um lançamento problemático em um sucesso.
Para os que ainda não experimentaram o game, Crimson Desert oferece uma experiência única, mesmo com suas falhas iniciais. A combinação de um mundo aberto deslumbrante, mecânicas de combate inovadoras e pequenos detalhes que encantam os jogadores, como a possibilidade de interagir com gatos, faz com que o título valha a pena ser explorado. Embora os controles tenham melhorado significativamente desde o lançamento, ainda há espaço para aprimoramentos, especialmente em relação à densidade do mundo e à quantidade de inimigos. Com a promessa de mais atualizações pela Pearl Abyss, é possível que o jogo se torne ainda mais completo e atraente nos próximos meses. Enquanto isso, os jogadores que já se apaixonaram por Crimson Desert continuam a explorar Pywel, descobrindo segredos e interagindo com os personagens que tornam esse mundo tão especial.
O sucesso de Crimson Desert também levanta discussões importantes sobre o uso de IA na indústria de games. Embora a polêmica envolvendo a arte gerada por IA tenha sido resolvida rapidamente pela Pearl Abyss, o episódio serviu como um lembrete de que a tecnologia, embora promissora, ainda precisa ser utilizada com responsabilidade. O episódio também destacou a importância da transparência por parte das desenvolvedoras, que devem comunicar claramente aos jogadores quando elementos controversos são incluídos em seus jogos. Nesse sentido, a abordagem da Pearl Abyss, que ouviu o feedback e agiu rapidamente para corrigir os problemas, serve como um exemplo a ser seguido por outras empresas do setor.
Outro aspecto que merece destaque é a narrativa de Crimson Desert. Embora muitos críticos tenham considerado a história pouco envolvente, o mundo de Pywel oferece uma riqueza de detalhes que pode cativar os jogadores mais atentos. As missões secundárias, embora inicialmente pareçam sem graça, escondem segredos e personagens memoráveis que tornam a experiência mais gratificante. Além disso, o game explora temas como redenção e sobrevivência, que são abordados de forma sutil ao longo da jornada do protagonista, Macduff. Essa profundidade narrativa, embora ainda não tenha sido completamente explorada pela crítica, é um ponto forte do título e pode surpreender aqueles que dedicarem tempo para conhecê-la melhor.