Editorial: A nostalgia dos fins de semana de jogos

E aí? Conta pra gente!

Não sei vocês, leitores, mas essa última semana passou voando como um borrão. Eu realmente me ofereci para assumir a coluna de hoje na Rock Paper Shotgun ou foi a cantina da Ziff Davis que me forçou com aquela colher-plástico que eles adoram usar como moeda de troca? Não lembro nem eu, mas talvez relaxar com alguns jogos de PC — e/ou ler sobre o que vocês estão jogando — ajude a clarear essa névoa mental que tomou conta dos meus pensamentos.

Começando pela equipe, Ollie confessou que vai passar o fim de semana “jogando” aquele jogo raro e odiado chamado “procurar sapatos adequados para um casamento”. Além disso, ele promete encaixar o máximo de horas possíveis em Mouse: PI For Hire, já que está escrevendo guias sobre o jogo. Ollie até confessou que gosta pelo menos 300% a mais do título do que do notoriamente inchado Red Pudding, que ele teve que devorar mês passado em nome da pesquisa.

Já Julian está mergindo em uma maratona nostálgica de jogos de estratégia. Ele mencionou que está revisitando Heroes of Might & Magic: Olden Era e o extremamente Bullfrog-ish Sintopia, dois títulos que o fizeram sentir como se estivesse roubando algumas horas do computador do pai na igreja paroquial. “Só falta um reboot de Dune II para completar o pacote”, brincou ele, enquanto sonhava em encontrar uma loja de doces que ainda venda sacos de papel com mistura louca de guloseimas para reviver memórias de uma época em que ele usava calças curtas.

Edwin, por sua vez, finalmente comprou The Legend of Heroes: Trails in the Sky após meses de hesitação sobre o tempo que teria que investir — algo que ele já havia escrito em vários artigos. O que ele encontrou foi uma experiência deliciosamente tranquila e sonolenta. Edwin está jogando a versão aprimorada para PC do RPG original do PSP, não o remake recente, e está encantado com os visuais de brinquedo. “O melhor é que, até agora, não há grandes apostas na trama”, ele explicou. “É só eu e meu irmão começando como ‘Bracers’, ou seja, heróis por aluguel. Acabamos de ajudar uma fazenda local a lidar com uma invasão de gatinhos-coelhos e agora estamos recuperando uma pedra preciosa de uma mina. Depois, planejo procurar uma erva que um clérigo precisa para uma receita. É verdade que nosso pai está em uma missão secreta que provavelmente nos jogará em alguma intriga maior, mas, por enquanto, é só ervas, gatinhos-coelhos e, bom, talvez alguns desmoronamentos de cavernas. Ahhh. Isso baixou minha pressão arterial mais do que qualquer dieta para cortar colesterol.”

Jeremy vai jogar mais Pragmata neste fim de semana, também para trabalho de guias — aliás, se vocês precisarem de ajuda, dêem uma olhada no nosso guia em progresso e leiam minhas prosa afiada! Jeremy está impressionado com Pragmata, que tem uma vibe muito parecida com os títulos da Capcom do final dos anos 1990 e início dos 2000, quando eles pegavam a fórmula de Resident Evil e criavam algo como Dino Crisis, ou então se animavam e nos presenteavam com um Mega Man Legends. “Só a parte de hackear pode ficar um pouco exaustiva às vezes”, admitiu ele, “o que torna o jogo um pouco difícil de jogar por longos períodos”. (Os colegas no nosso Slack compararam a mecânica de hackear com o combate de The World Ends With You, algo com que Jeremy tende a concordar. Se vocês gostaram daquele jogo, provavelmente vão curtir Pragmata.)

James também está no clima de Pragmata, mas ele tem um novo controle que quer testar. Por isso, vai ligar seus games habituais: Silksong, Forza Horizon 5, Elden Ring e Hades II. Basicamente, qualquer coisa que não exija mirar em algo em um espaço tridimensional — uma habilidade que ele perde completamente assim que tira a mão do mouse.

Mark tem um fim de semana prolongado graças a planos de passar o domingo inteiro sentado em um campo perto de um aeroporto, observando carros passando. Por isso, não deve jogar nesse dia, mas com certeza vai curtir um pouco de Tokyo Xtreme Racer e brincar com um novo mod de pintura do recentemente lançado Automobilista 2.

Dion, por sua vez, não tem a menor noção de tempo linear — e, por tabela, de fins de semana.

Callum confessou que não deve jogar muito, afinal, é fim de semana do WrestleMania, que já se tornou uma maratona anual de dois dias entre seus amigos. Eles nem ligam mais para as histórias do wrestling ou sabem quem está em qual rivalidade, mas adoram transformar o evento em uma desculpa para tomar cerveja e inventar jogos de beber. O favorito do ano passado era apostar em quantas cervejas o desgastado Stone Cold Steve Austin iria tomar antes de quase atropelar algum espectador com sua ATV ao sair da arena. Quando não estiver acordado até às 5 da manhã assistindo homens musculosos encenarem pantomimas, Callum provavelmente vai tentar Pragmata.

E você, caro leitor, o que vai jogar neste fim de semana? Conta pra gente!

A Rock Paper Shotgun fica ainda melhor quando você faz login e se junta a nós nessa jornada para descobrir jogos de PC estranhos e cativantes.

Editorial: A nostalgia dos fins de semana de jogos

Os fins de semana sempre foram sinônimos de liberdade para os jogadores. Enquanto o mundo corporativo se arrasta na segunda-feira, os gamers brasileiros — e do mundo todo — encontram um refúgio no ato de apertar o botão “iniciar” de um novo título ou reviver memórias de aventuras passadas. Essa semana, a equipe da Rock Paper Shotgun compartilhou seus planos de gameplay, e o que mais chamou atenção foi a quantidade de referências nostálgicas que permeiam suas escolhas. De jogos de estratégia clássicos a RPGs japoneses que parecem saídos de uma prateleira de brinquedos, a nostalgia está mais viva do que nunca no universo dos games.

Julian, por exemplo, mergulhou fundo na década de 1990 com Heroes of Might & Magic: Olden Era e Sintopia, dois títulos que evocam a era dos computadores Acorn, quando os jogos eram feitos com blocos de pixels e a imaginação do jogador fazia o resto. “É como se eu estivesse roubando horas do computador do meu pai na igreja”, brincou ele, destacando como esses jogos conseguem transportar os jogadores para uma época em que a tecnologia era limitada, mas a criatividade era infinita. Essa saudade dos primórdios dos games não é exclusividade dele: muitos jogadores brasileiros também cresceram com títulos como Dune II e Command & Conquer, e a vontade de reviver essas experiências é um fenômeno global.

Já Edwin escolheu um caminho diferente, mas igualmente nostálgico, com The Legend of Heroes: Trails in the Sky. O jogo, originalmente lançado para PSP, ganhou uma versão aprimorada para PC, e o que mais encantou o redator foi a estética “de brinquedo” e a ausência de pressões narrativas. “É só eu e meu irmão começando como ‘Bracers’, resolvendo problemas simples como lidar com gatinhos-coelhos e recuperando pedras preciosas”, descreveu ele. Essa abordagem relaxante é um contraponto interessante aos jogos modernos, que muitas vezes bombardeiam os jogadores com missões complexas e narrativas densas. No Brasil, onde a rotina agitada muitas vezes deixa pouco tempo para jogos longos, títulos como esse fazem sucesso justamente por sua simplicidade e charme.

Pragmata: O renascimento de uma fórmula clássica

Se tem um jogo que dominou as conversas da equipe da Rock Paper Shotgun neste fim de semana, esse jogo é Pragmata. Lançado em 2023 pela Capcom, o título trouxe de volta a magia dos jogos de ação e aventura dos anos 1990 e início dos 2000, quando a empresa japonesa parecia ter uma fórmula infalível. Jeremy e James, dois membros da equipe, destacaram como Pragmata consegue capturar a essência de títulos como Resident Evil, Dino Crisis e Mega Man Legends.

Pragmata tem uma vibe muito parecida com os jogos da Capcom daquele período”, comentou Jeremy. “A Capcom da época parecia ter uma energia única, misturando ação, exploração e uma narrativa que, embora não fosse profunda, era envolvente.” James, por sua vez, elogiou a capacidade do jogo de manter o jogador engajado mesmo quando a mecânica de hacking se tornava repetitiva. “É um jogo que você pode jogar em sessões curtas, sem precisar investir horas seguidas”, afirmou ele. Essa abordagem é perfeita para os jogadores brasileiros, que muitas vezes têm pouco tempo livre e preferem jogos que possam ser aproveitados em pequenas doses.

A comparação com The World Ends With You, feita pelos colegas no Slack da equipe, não é exagerada. Ambos os jogos combinam ação frenética com mecânicas únicas — no caso de Pragmata, a habilidade de hackear sistemas inimigos. No Brasil, jogos com essa proposta têm feito sucesso entre os jogadores que buscam experiências inovadoras sem abrir mão de um estilo visual marcante. Além disso, Pragmata se destaca por sua trilha sonora, que mistura elementos futuristas com toques retrô, algo que lembra os anos dourados da Capcom.

Outro ponto positivo do jogo é a sua acessibilidade. Enquanto muitos títulos modernos exigem que os jogadores dominem controles complexos e mira em três dimensões, Pragmata oferece uma experiência mais acessível, permitindo que os jogadores foquem na história e na exploração. “Qualquer coisa que não exija mirar em um espaço tridimensional é bem-vinda”, brincou James, referindo-se à dificuldade que muitos jogadores têm ao usar controles de console. No Brasil, onde o mercado de games é dominado por jogos para PC, essa característica de Pragmata é um grande atrativo.

Os desafios do gaming moderno: entre a nostalgia e a inovação

Enquanto a nostalgia domina as escolhas de muitos jogadores, é inegável que o cenário atual dos games é dominado por inovações tecnológicas e experiências cada vez mais imersivas. Jogos como Elden Ring, Forza Horizon 5 e Silksong — mencionados por James — representam o auge do que a indústria pode oferecer hoje: gráficos de última geração, mundos abertos vastos e mecânicas de gameplay refinadas. No entanto, mesmo entre esses títulos de ponta, há espaço para a nostalgia, como no caso de Pragmata.

O Brasil, com sua comunidade gamer cada vez mais diversificada, é um exemplo perfeito de como a nostalgia e a inovação podem coexistir. Enquanto jogadores mais velhos buscam reviver experiências do passado, os mais jovens abraçam títulos modernos com entusiasmo. Essa dualidade pode ser vista em eventos como a Brasil Game Show, onde estandes dedicados a jogos retrô dividem espaço com lançamentos de última geração. “É incrível ver como os jogadores brasileiros abraçam tanto o novo quanto o velho”, comentou um produtor de games durante a edição de 2023 do evento. “Isso mostra que, no fundo, todos nós só queremos nos divertir.”

No entanto, o gaming moderno também apresenta seus desafios. A crescente complexidade dos jogos, aliada ao aumento dos preços dos títulos e dos requisitos de hardware, pode afastar jogadores casuais. Em um país como o Brasil, onde o poder aquisitivo médio é limitado, muitos jogadores precisam fazer escolhas difíceis na hora de investir em novos games. “Às vezes, é mais fácil reviver um clássico do que comprar um jogo novo”, afirmou um jogador em um fórum brasileiro. Essa realidade reforça a importância de títulos como Pragmata e The Legend of Heroes: Trails in the Sky, que oferecem experiências completas sem exigir um investimento enorme.

O papel dos mods e das comunidades na cultura gamer brasileira

Outro aspecto interessante do artigo original é a menção de Mark ao jogo Tokyo Xtreme Racer e ao mod de pintura do Automobilista 2. No Brasil, a cultura de mods e personalizações é extremamente forte, especialmente em jogos de corrida e simulação. Comunidades no Discord e em fóruns como o Guia do Jogador e o Tuga Games são exemplos de como os jogadores brasileiros se unem para compartilhar criações, desde skins personalizadas até mods que transformam completamente a experiência de jogo.

O mod de pintura do Automobilista 2, por exemplo, permite que os jogadores criem designs únicos para seus carros virtuais, algo que atrai tanto os fãs de simulação quanto os jogadores casuais. “É uma forma de deixar o jogo ainda mais pessoal”, explicou um membro de uma comunidade de modders. No Brasil, onde o mercado de jogos de corrida é dominado por títulos como Need for Speed e Forza Horizon, mods como esse ajudam a manter a comunidade engajada e criativa.

Além disso, jogos como Tokyo Xtreme Racer já têm uma base de fãs no Brasil, graças à sua estética cyberpunk e mecânicas de tunning. A comunidade brasileira de jogos de corrida é uma das mais ativas do mundo, organizando eventos online, campeonatos e até mesmo encontros presenciais. “Os jogadores brasileiros são apaixonados por velocidade e personalização”, comentou um streamer conhecido na plataforma Twitch. “É por isso que jogos como Tokyo Xtreme Racer têm tanto sucesso aqui.”

WrestleMania: A tradição do entretenimento ao vivo

Callum mencionou a WrestleMania como um evento que, embora não seja diretamente relacionado a games, faz parte da cultura pop e da rotina de muitos jogadores. No Brasil, a influência da luta livre americana — especialmente da WWE — é forte, e eventos como a WrestleMania são assistidos por milhões de fãs, mesmo que muitos deles não sejam necessariamente fãs de wrestling. “É mais uma desculpa para reunir os amigos, tomar cerveja e criar memes”, brincou um torcedor brasileiro em um grupo de WhatsApp.

A tradição de assistir à WrestleMania em grupo é tão forte que muitos jogadores acabam adiando suas sessões de gaming para acompanhar o evento. No entanto, como Callum mencionou, a experiência muitas vezes se resume a assistir homens musculosos encenarem dramas exagerados e inventar jogos de beber. “O ano passado foi hilário: apostamos em quantas cervejas o Stone Cold Steve Austin iria tomar antes de quase atropelar alguém com a ATV”, contou ele. Essa combinação de entretenimento e socialização é uma parte importante da cultura gamer, que transcende os próprios games.

No Brasil, a luta livre também tem seus fãs, embora o esporte seja menos popular do que nos Estados Unidos. Mesmo assim, eventos como a WrestleMania conseguem atrair a atenção de muitos brasileiros, especialmente pela sua mistura de esporte, teatro e cultura pop. “É como assistir a um reality show ao vivo”, disse um fã. Essa conexão entre diferentes formas de entretenimento mostra como a cultura gamer é diversificada e aberta a influências externas.

O equilíbrio entre trabalho e lazer na vida de um redator de games

Um aspecto interessante do artigo original é a menção de Ollie ao jogo Mouse: PI For Hire e como ele está escrevendo guias sobre o título. No Brasil, muitos redatores de games também são jogadores ativos, e a fronteira entre trabalho e lazer muitas vezes se confunde. Ollie, por exemplo, está jogando Mouse: PI For Hire não apenas por diversão, mas também para produzir conteúdo profissional. Essa dualidade é comum na indústria, onde os profissionais muitas vezes precisam jogar títulos que não são necessariamente de seu interesse pessoal.

“Às vezes, é difícil separar o prazer do trabalho”, confessou um redator brasileiro em um podcast. “Mas, no final das contas, fazer o que a gente ama é o que torna essa profissão tão especial.” Ollie, por sua vez, destacou como Mouse: PI For Hire é um jogo que, embora não seja perfeito, tem um charme único. “É muito melhor do que aquele Red Pudding que tive que jogar mês passado”, brincou ele, referindo-se a um título que ele descreveu como “bloated” (inchado). Essa experiência mostra como, mesmo em um trabalho que exige jogar games variados, é possível encontrar prazer em títulos que, à primeira vista, não parecem atrativos.

No Brasil, onde a indústria de games está em crescimento, muitos redatores e jornalistas de games começam como jogadores amadores e acabam transformando sua paixão em profissão. Plataformas como o Tuga Games e o Guia do Jogador