Herois de Might & Magic: Olden Era renasce forte, mas precisa explicar melhor
Depois de mais de dez anos sem um novo jogo da série, e mais de 25 desde que pisamos pela primeira vez em Enroth, o cenário de fantasia dos três primeiros títulos de estratégia, “Heroes of Might & Magic: Olden Era” chega como um reboot prometedor. Desenvolvido pela Unfrozen, com apoio da Ubisoft e da Hooded Horse — além da participação do criador original da franquia, Jon Van Caneghem — o jogo chega para testar se uma das joias mais preciosas do PC gaming ainda brilha como antes. Para avaliar se o reboot cumpriu sua missão, dois jogadores que pouco conheciam a série foram convidados a testar a versão de acesso antecipado antes de seu lançamento oficial, marcado para 30 de abril.
Julian, um dos avaliadores, confessou ter jogado um pouco de “Heroes of Might & Magic III” nos anos 1990, mas não conseguiu se adaptar à mistura de estratégia, mecânicas de RPG e táticas por turnos da época. “Achei aquilo estranho e confuso, então voltei para ‘Command & Conquer’. Cavaleiros errantes são legais e tudo mais, mas conseguem competir com o charme de um tanque monstro?”, brincou. Ele destacou que até o próprio Van Caneghem, criador da franquia, foi trabalhar na série “Command & Conquer” nos anos 2010, o que, segundo Julian, só prova que ele estava à frente do seu tempo.
Ao revisitar a série depois de mais de 20 anos, Julian notou que “Olden Era” mantém a essência familiar do jogo. O jogador assume o controle de um ou dois heróis, movendo-os por um mapa repleto de pilhas de ouro, monstros à espera de batalha e construções que fortalecem o líder e sua comitiva. Ao tomar uma cidade, é possível preenchê-la com edifícios para recrutar unidades, desbloquear magias de batalha e acumular recursos. Embora ainda esteja no início da campanha, Julian percebeu que a jogabilidade segue o padrão que lembrava: a cada dia, o herói tem um limite de pontos de movimento para explorar o mapa, coletar recursos e ativar construções, como santuários que aumentam habilidades ou acampamentos para recrutar tropas.
Ao contrário do que aconteceu quando ele era criança, Julian não sentiu dificuldade em se adaptar aos sistemas do jogo desta vez. “A falta de familiaridade com a série não me fez rejeitar a jogabilidade como antes”, comentou. Mas o que exatamente mudou? Essa é uma pergunta que ainda precisa de resposta, já que o jogo não explica muito bem suas mecânicas para novos jogadores.
Edwin, o outro avaliador, confessou que evitou a série no passado por não gostar de híbridos de gêneros. “Qual é a proposta do jogo? Primeiro, estou andando com meu mago por clareiras florestais brilhantes, e de repente tenho que voltar à capital para construir um palácio para grifos. Não consigo lidar com mais de duas ideias ao mesmo tempo”, desabafou. Ao jogar “Olden Era” pela primeira vez, ele estranhou a apresentação “velha escola” e os visuais, que o lembraram de propagandas velhas de “Hero Wars” no YouTube — e até do filme “Shrek”, se não fosse uma paródia.
As telas das cidades, por exemplo, trazem coros cantando “glorioso” ao fundo, e o excesso de efeitos pode ser cansativo. Os mapas também são repletos de ouro, gemas e outros itens valiosos espalhados para os heróis coletarem, o que, à primeira vista, lembra um festival móvel de gacha. “Eca”, pensou Edwin ao encher os bolsos do mago de diamantes enquanto tentava fazer seus grifos evoluírem. No entanto, após algumas horas de jogo, ele admitiu que estava realmente se divertindo.
A apresentação exagerada do jogo esconde um charme inocente e cativante. O mundo de “Heroes of Might & Magic” é como um mapa de tesouro infantil, uma mistura deslumbrante de florestas, desertos, montanhas e lagos, repleto de detalhes animados, como dragões voando sobre ruínas ou galinhas ciscando perto de moinhos. Ao aproximar a câmera, é possível ouvir sons como ferreiros martelando ferro em uma forja na encosta de uma colina ou tropas inimigas comemorando. “Gosto de agitação”, confessou Edwin.
Quanto ao fluxo do jogo, Edwin achou a personalização das cidades um pouco maçante. Embora o jogador possua várias cidades, há muita sobreposição nas melhorias disponíveis atualmente. Mesmo assim, ele está adorando gerenciar seus exércitos de heróis e equipá-los para enfrentar inimigos específicos. Um de seus heróis, um clérigo, tem melhorias que aumentam as estatísticas das unidades com base em seus conhecimentos e habilidades mágicas, enquanto um cavaleiro tem habilidades que enfraquecem magos inimigos, reduzindo o nível de seus feitiços e aumentando seus custos. Além disso, Edwin comanda um bando de grifos, incluindo uma variante que pode contra-atacar infinitamente, tornando-os verdadeiros tanques aéreos.
Julian, por sua vez, tem opiniões divididas sobre o combate do jogo. Inicialmente, ele achou as batalhas surpreendentemente superficiais, principalmente para uma série com uma base de fãs tão dedicada. As lutas ocorrem em um grid hexagonal, onde o jogador posiciona suas unidades no lado esquerdo da tela, enquanto o inimigo faz o mesmo no lado oposto. Em seguida, as tropas avançam em turnos, atacando umas às outras com espadas, lanças, maças e outros artefatos medievais até que um dos lados seja completamente dizimado.
Apesar de simples, o sistema de combate tem seus méritos. A estratégia está em posicionar as unidades de forma inteligente, considerando a movimentação e os ataques do inimigo. No entanto, Julian sentiu falta de uma camada mais profunda de táticas, algo que justificasse o amor dos fãs pela série. “As batalhas são diretas, mas não necessariamente profundas